Instituição de ensino:
EBAC
Ano:
2026
Estudo de caso para a pós-graduação em UX/UI e Produtos Digitais da EBAC, partindo da identificação de uma lacuna no mercado de gestão financeira: ferramentas que sobrecarregam o usuário com a premissa de educar, em vez de oferecer uma solução puramente facilitadora.
Ao mapear a frustração com métodos manuais, estruturei uma interface que prioriza a visualização do saldo disponível para o mês, diferenciando-se da lógica de saldo total dos aplicativos bancários. A solução vai além da conferência de gastos, atuando como um suporte ativo na tomada de decisões financeiras.
Análise do mercado
Este estudo parte de uma investigação sobre os aplicativos de gestão financeira disponíveis no mercado. Serão analisados os modelos de produto, premissas de funcionamento e fluxos de experiência adotados pelos concorrentes.
O objetivo é construir um panorama do setor que sirva de base para estruturar uma nova proposta de aplicativo, orientando as decisões de design a partir das lacunas identificadas nessa análise.
Analisando os principais aplicativos do mercado foi possível identificar que as soluções de gestão financeira apresentam no branding a proposta de educar financeiramente.
Proposta de aplicativo facilitador e flexível
Desenvolver um aplicativo que não exija conhecimento financeiro para criar um planejamento mensal.
Planejamento informal: Apenas 28% possuem um plano ou orçamento definido; a maioria utiliza métodos informais que nem sempre são seguidos.
Déficit mensal: Cerca de 39% dos entrevistados gastaram mais do que receberam no último ano.
Inadimplência e emergências: 84% das pessoas passaram por situações financeiras negativas nos últimos 12 meses, como reduzir gastos essenciais para pagar contas (67%) ou atrasar faturas de serviços básicos (48%).
Comprometimento da renda: Metade da população paga algum empréstimo ou financiamento, e, para um terço desses, o comprometimento ultrapassa 50% da renda mensal.
Fonte: Planejar (2025). O Planejamento Financeiro do Brasileiro: Da Consciência à Prática.
Uma abordagem centrada no usuário para um aplicativo facilitador
A metodologia adotada foi o Design Thinking, estruturada para explorar e validar a oportunidade identificada na desk research: um aplicativo que, diferentemente dos concorrentes, não tem a premissa de educar financeiramente, mas sim de facilitar a organização financeira pessoal.
Esse processo teve como objetivo direcionar a definição da funcionalidade principal do aplicativo, partindo de uma abordagem centrada no usuário para garantir que a solução atenda de fato às necessidades identificadas.
Foram realizadas entrevistas com quatro indivíduos de 20 a 30 anos, cujo principal método de pagamento são as ferramentas digitais. O objetivo foi compreender sua relação com o controle financeiro e os desafios que enfrentam.
Principais dores
Principais ganhos
Uso de planilhas
As soluções mais populares exigem alto conhecimento financeiro e alta manutenção. Poucos entrevistados conheciam ferramentas de gestão financeira, e os que conheciam planilhas as abandonaram pela complexidade de aprendizado e uso contínuo.
A partir das entrevistas, foram construídos perfis que sintetizam os padrões de comportamento, motivações e frustrações identificados. Os perfis representam diferentes relações com o dinheiro e com ferramentas de controle financeiro, desde quem evita olhar o extrato por ansiedade até quem tenta se organizar com planilhas mas abandona pela manutenção cansativa.
Esses perfis serviram como referência para as decisões de design ao longo do projeto, garantindo que a solução fosse orientada por necessidades reais e não por suposições.
Ponto em comum
Nenhum dos perfis tem clareza sobre seus próprios gastos.
A análise de tarefas teve como objetivo mapear o fluxo inicial de um concorrente direto, identificando pontos de atrito e oportunidades de simplificação.
Principais achados
Conflito na premissa dos concorrentes
A alta exigência do conhecimento dos gastos conflita com a dificuldade identificada nas proto personas.
A partir dos aprendizados do mapa de empatia, das proto personas e da análise de tarefas, foram formuladas perguntas que exploravam caminhos para reduzir a complexidade do fluxo inicial, diminuir a carga cognitiva sobre o usuário e oferecer suporte ativo em vez de apenas dados brutos.
Insight de funcionalidade
Uma funcionalidade que simula uma compra como definidor de planejamento e objetivos.
O objetivo foi compreender as etapas realizadas na vida real sem a mediação de um aplicativo próprio, mapeando o processo de decisão e realização de uma compra.
Foram analisados os aplicativos e ferramentas que os usuários acessam ao longo do processo, bem como os comportamentos adotados para tomar decisões financeiras.
Principais achados
Oportunidade
A possibilidade de realizar essa avaliação em um único app que não dependa de cálculos manuais e da memória, mostrando ao usuário o valor real disponível para o mês em vez da soma de todos os saldos
O mapa do aplicativo foi construído a partir do modelo conceitual gerado pelo fluxo do usuário, organizando as telas e funcionalidades em uma estrutura que prioriza a baixa manutenção.
Fluxo principal
Foco na integração bancária
Como o aplicativo tem como necessidade a integração bancária, nesse momento não será desenhado o fluxo de entradas manuais.
Telas desenvolvidas:
O fluxo conduz o usuário desde o primeiro acesso até a definição do planejamento mensal. Após o cadastro inicial e a sincronização bancária, o usuário passa pela categorização das despesas importadas que não foram categorizadas automaticamente por falta de informações.
Em seguida, a home exibe o planejamento mensal já estruturado, com destaque para o saldo disponível, e a simulação de compra entra como principal ferramenta de análise.
Foram recrutados 5 usuários na faixa dos 20 aos 30 anos, todos com perfil alinhado às proto personas e usuários de meios de pagamento digitais.
Objetivo de validar se os usuários conseguem compreender seu saldo disponível após o cadastro inicial e realizar a simulação de uma compra.
Tarefas propostas
| Tarefa | Ponto de Atrito | Sucesso |
|---|---|---|
| Criar conta e vincular banco | Dificuldade em entender a tela de categorização | 100% |
| Checar saldo disponível | Confusão com o termo "Saldo Total" | 100% |
| Simular uma compra | Botão de simulação passou despercebido por 80% dos usuários | 20% |
Oportunidade de melhoria
Botão "Simular despesa" passou despercebido e precisa de maior destaque visual.
Insights do teste de usabilidade:
Oportunidade de melhoria
Muitas dúvidas e dificuldades de compreensão sobre os passos iniciais do cadastro foram levantadas, sendo relevante a estruturação de um fluxo de onboarding mais completo.
Uma abordagem centrada no usuário para um aplicativo facilitador
A implementação final consolidou a oportunidade identificada na fase de Desk Research, resultando em um aplicativo focado na facilitação da organização financeira pessoal em detrimento do modelo de educação financeira tradicional.
Através da metodologia de Design Thinking, o projeto priorizou a baixa manutenção e a automação de dados.
A solução final validou a Simulação de Despesa como funcionalidade central, transformando o planejamento financeiro em uma experiência reativa ao consumo real, em vez de depender de configurações orçamentárias abstratas.
Exercício do módulo de UI da pós-graduação da EBAC, com o objetivo de compreender a criação de componentes orientados à escalabilidade.
A base utilizada foi o Material Design 3 (MD3), adaptado em uma versão simplificada com alterações específicas para o contexto do projeto.
Cores: Inspiradas na nota de R$ 200,00 brasileira. As combinações entre elementos e fundos foram testadas seguindo as diretrizes WCAG, garantindo acessibilidade e contraste adequado.
Componentes principais: Botões, cards, formulários, listas, chips.
Escalabilidade e consistência
O sistema foi documentado no Figma com componentes reutilizáveis e variáveis de estilo, permitindo evolução futura e aplicação consistente em novas versões do produto.
Evolução dos wireframes revisados para alta fidelidade, com a aplicação do Design System. O fluxo permanece o mesmo testado anteriormente, agora com o visual final incorporando as alterações definidas a partir dos insights do teste de usabilidade.
O protótipo foi produzido para conduzir um novo teste de usabilidade não moderado, com o objetivo de avaliar se as alterações visuais e de fluxo resolveram os pontos de atrito identificados na versão anterior.
Teste de usabilidade não moderado. O objetivo era verificar a taxa de sucesso da terceira tarefa, que envolve a utilização da funcionalidade de Simular despesa
13 usuários participantes testaram as alterações no protótipo de alta fidelidade
Tarefas propostas
| Tarefa | Anterior | Atual |
|---|---|---|
| Criar conta e vincular banco | 100% | 82.4% |
| Categorizar despesas | — | 61.5% |
| Simular uma compra | 20% | 61.5% |
Avaliação dos resultados
Aumento da amostra impactou a taxa da primeira tarefa, que se manteve em patamar positivo sem indicar prioridade de ajuste.
Já na simulação de compra, houve um aumento expressivo na taxa de sucesso, confirmando que as alterações visuais e de fluxo direcionaram os usuários à funcionalidade principal.